O papel da realidade virtual no atual cenário mundial

Reuniões, eventos e aulas remotas são alvo de melhores experiências com realidades imersivas


O trabalho remoto compulsório provocado pela pandemia fez empresas, escolas e universidades perceberem que não estavam preparados para canais virtuais massivos na manutenção da sua operação. Naturalmente, ninguém é culpado por não ter gerado medidas de contenção para uma previsão de risco real tão reduzido como o caso que estamos passando. No entanto, uma vez que, das crises surgem as oportunidades, o modo de trabalho será alterado profundamente e demandará melhorias em diversas frentes. Dito isso, as experiências colaborativas em VR surgem como ferramentas que farão a diferença para esta nova fase.

A tecnologia no mundo

Estudos recentes da ABI Research, que deverão ser atualizados assim como todos os demais da economia mundial, indicavam a taxa de crescimento anual de 45,7% (CAGR) na adoção comercial das tecnologias de RV de 2019 a 2024, o que devem representar US$ 24,5 bilhões. Isto é, um mercado atraente refletido nas ações de empresas como Facebook, Microsoft, Alibaba, Samsung entre tantas outras fortemente engajadas neste mercado, uma vez que as tecnologias de RA/RV são vistas como a nova interface homem x máquina, substituindo celulares e Notebooks/PCs.

No início do ano passado, o lançamento do Oculus Quest, do Facebook, deu autonomia e ainda mais fôlego na adoção da tecnologia por conta da mobilidade e custo acessível. A pesquisa e desenvolvimento para estas tecnologias estão a todo vapor a fim de transformar os óculos em devices ultra portáteis, funcionais e acessíveis. O próprio Quest representou um salto na utilidade da tecnologia, por dar liberdade total ao usuário sem a necessidade de sensores externos, cabos e equipamentos adicionais como notebooks “VR Ready”. Simplificando, com este equipamento, você consegue se movimentar dentro de um cenário virtual como se estivesse na vida real, com o reconhecimento das próprias mãos ao invés de uso de controle. Atraente, não? Imagine isto então, para o seu dia a dia na interação remota com colaboradores e alunos.

Aplicações corporativas

Faz alguns anos que as corporações decidiram acompanhar e adotar iniciativas exploratórias para treinamentos, manutenção e onboarding utilizando tecnologias imersivas e, nos últimos meses, temos acompanhado mais casos de sucesso e aplicações concretas nas operações destas empresas. No entanto, outra frente de oportunidade tem surgido de forma bastante discreta, porém com grande potencial para o futuro próximo, as reuniões em realidade virtual. Estas plataformas e áreas de trabalho tornam-se cada vez mais comuns à medida que o hardware e o mindset das empresas abrem espaço para essa possibilidade.

Reuniões em VR

Desde o Second Life, em meados da década de 2000, o tema de vida/experiência virtual ficou latente até estes últimos anos, com o surgimento de tecnologias mais acessíveis e aplicações atraentes a usuários e empresas. Permitir que um grupo de pessoas se encontre de forma virtual, em um ambiente pré-estabelecido e preparado para gerar produtividade é um poço de oportunidades. As interações tendem a ser naturais e, melhor que isso, potencializadas por ferramentas e possibilidades que não teríamos na vida real como, por exemplo, trabalhar diretamente dentro da maquete de um empreendimento imobiliário, em cenários contextualizados aos temas da reunião ou com objetos 3D passíveis de edições em tempo real por todos os membros, além de interação com diversas mídias disponíveis em um ambiente 360. Um grande centro de exploração de ideias.

Mas, naturalmente, nem tudo é perfeito. Como o objetivo do artigo é explorar as possibilidade e desafios, seguem alguns tópicos que podem ajudar a visualizar o que vem por ai, e o que precisamos contemplar para ver se é ou não útil para a nossa operação.


Pontos fortes

Uma das perguntas que sempre nos fazemos quando recebemos demandas de realidades imersivas é se o pedido realmente pode/deve ser atendido por estas techs. Em muitas situações, soluções mais simples como videos padrão, QRCodes e Slides são mais efetivos. Aqui seguem alguns pontos a se considerar para a adoção das VR Meetings:

  • Interação natural: considerando que muitas das techs atuais já reconhecem as mãos e seus movimentos, a operação e interação nestas salas de reunião VR acabam sendo muito mais naturais, pois vc tem toda a liberdade de movimento e interação como se estivesse em uma reunião real;

  • Materiais de apoio: longe de ser um ambiente preso à tela do monitor, as reuniões em VR abrem ambientes completos em 360 3D capazes de transformar toda uma sala em um gigante painel de controle super customizado com gráficos, videos, imagens e tudo o que mais precisarem;

  • Maquetes e objetos 3D: a interação em primeira pessoa com maquetes em tamanho reduzido em cima de uma mesa, como em tamanho real potencializam a análise e experiência no desenvolvimento de produtos e projetos;

  • Foco e zero dispersão: sabemos que as webconf são dispersivas. Muitas vezes as pessoas realizam diversas tarefas enquanto acompanham as discussões. As VR Meeting, assim como no cinema, pelo estado imersivo, promovem 100% de atenção e foco;

  • Redução com custos: reuniões que demandem unir grupos presencialmente, por vezes, demanda custos em hotéis, taxis e passagens aéreas, entre outras. Reuniões “presenciais” em VR, são opções reais para esta redução de custos.

Desafios


  • Adoção de Óculos VR: definitivamente o maior desafio para a adoção das reuniões em VR é a penetração dos devices de realidade virtual. Apesar de estarem mais acessíveis, os custos de importação para o Brasil os tornam ainda proibitivos na maioria das operações, uma vez que os volumes devem ser altos o suficiente para permitir que reuniões irrestritas possam ser realizadas. Óculos de um bom padrão com 6DoF (liberdade de movimento) custam em torno de USD 450,00. No entanto, se considerarmos os custos com viagens, escritórios e estrutura em geral para estas reuniões, pode haver um calculo curioso a ser feito;

  • Soluções de VR Meeting: surgem agora e começam a ocupar espaço nas pautas de discussão e pesquisa das empresas. Existem algumas dezenas de soluções, grande parte proveniente dos EUA, mas o mercado Europeu tem sido extremamente produtivo nestas frentes de realidades imersivas. Dentre as soluções que temos pesquisado e acompanhado, estão: Glue, MeetinVR, Immersed, Rumii, vSpatial, Improov, InsiteVR entre mais 2 dezenas de soluções. Seus custos mensais em USD e EUR acabam, neste momento de R$ 5/ 1US$, não sendo muito motivadores. No entanto, como dissemos, existem contas compensatórias com relação à redução de custos com transportes e similares.

  • Evolução da tecnologia: soluções para digitação de textos longos, avatares bastante rudimentares e a falta de representação das expressões faciais quanto à interatividade dos participantes, são pontos que precisam evoluir como tempo, pois tudo isso faz parte do dia a adia de nossas reuniões e leituras humanas do processo criativo e de gestão de projetos;

Claramente podemos ver uma grande oportunidade para aprimorar as reuniões e iniciativas colaborativas por meio das realidades imersivas. Apesar dos desafios, existe uma confiança bastante sólida a partir dos benefícios que as soluções promovem. Ao final das contas, trata-se de uma questão de quando adotaremos estas novas ferramentas em nosso dia a dia corporativo e, para o bem e para o mal, a atual situação de quarentena mundial é um alerta para que assumamos estes temas com mais responsabilidade a fim de garantirmos a continuidade dos negócios.

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